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O garoto quase atropelado foi uma leitura dolorosa. Logo no primeiro livro que leio do autor, já consigo sentir a vontade de ler tudo que ele escreve, Vinicius Grossos transmite com paixão os sentimentos dos seus personagens.

Confesso que esperava um desenvolvimento totalmente diferente do que foi apresentado e o desfecho é simplesmente arrebatador.


''[...] se o fato de uma pessoa ser gay já é difícil num mundo em que tudo é voltado para os héteros, por que a sociedade têm que tornar tudo tão mais complicado? Será que não é possível conviver com as diferenças?''


SINOPSE: O garoto quase atropelado conta a história de um adolescente que começa a escrever um diário, como sugestão de sua psicóloga, para poder expressar os seus sentimentos, pensamentos e desabafos, pois por causa de um trauma sofrido a alguns meses atrás, ele simplesmente parou sua vida – saiu da escola, se isolou do mundo e entrou num princípio de depressão.

Então ele conhece Laís, a cabelo de raposa. Uma menina impulsiva, misteriosa e instigante, que o tira de sua bolha de solidão. E na bagagem, seus dois amigos: Acácio, que ele apelida de o James Dean não-tão-bonito, um jovem gay que sempre tem uma piada pronta e o conselho para dar; e a menina de cabelo roxo, Natália, que sofre com problemas de autoestima e distúrbios alimentares.

De tão diferentes, os quatro constroem uma bonita, espontânea e sólida amizade. E todos eles, com seus próprios dramas, que se conectam para entender e lidar, contando com a ajuda um do outro.

Título: O garoto quase atropelado
Autor: Vinícius Grossos 
Editora: Faro Editorial
Número de páginas: 272
Gênero: Ficção jovem
ISBN:  9788562409462


''Acho que por trás de toda pessoa que parece poderosa existe alguém bem frágil e com a alma cheia de buracos.''


O garoto quase atropelado é um livro narrado em primeira pessoa e conta a história de quatro amigos, sendo que três deles já se conheciam e o quarto é o nosso protagonista, que entra na amizade já construída pelos três e serve como ponte para conectar novamente os amigos. Ele que vivia sozinho, depois da morte do seu melhor amigo, nunca imaginaria que seria amigo de pessoas que pareciam tão populares e cheias de vida. 

[...] Mas então comecei a enxergar cada um em separado. Os três demonstravam viver uma vida de coragem, liberdade e felicidade, mas, no fundo, estavam tão perdidos quanto eu. Página 81. 

A história se desenvolve focando na amizade dos quatro e principalmente no romance entre o garoto quase atropelado e a cabelo de raposa. 

Os temas abordados no livro são extremamente pesados, alguns o autor sobre tratar com maestria, com cuidado e responsabilidade, outros eu senti que faltou um pouco de pesquisa e cuidado. Mas, isso também vai da vivência de cada um. Por isso, deixo avisado que o livro traz alguns gatilhos. 

A playlist acrescentada ao roteiro do livro é um charme. E para quem conhece as músicas é uma experiência incrível. Caso o leitor não seja tão ligado assim em músicas, sugiro que ouça as canções e leia as letras antes de abrir o livro. Pois, sem duvidas, é um excelente complemento. De qualquer forma, também há a tradução das letras no livro, junto com a versão original, então mesmo que você não conheça as músicas entenderá o contexto. 

[...] É o ciclo da vida. Alguns dias são de sol, outros de chuva, mas não significa que mesmo em uma terrível tempestade, o sol não esteja lá. Só é mais difícil de enxergá-lo. Página 136. 

É claro que o livro também possui alguns problemas, principalmente de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura. 

Por ser um diário, a aproximação entre leitor e escritor é maior, fazendo com que o contato com o personagem seja mais crível. 

Outro ponto positivo são as ilustrações que tornam a diagramação ainda mais bonita. É pesado, triste e devastador. É um livro que com certeza eu recomendo. 




Encontre o livro aqui.




Quantos romances protagonizados por pessoas negras e gordas você já leu? Conhece algum casal formado por pessoas negras e gordas na ficção? Minha resposta para essas perguntas havia sido, por muito tempo, um sonoro “não”.

Até que Solaine Chioro decidiu lançar Reticências na Amazon.

Um livro que facilmente poderia ser chamado de “clichê”, como acontece com muitos romances. Porém, pessoalmente me recuso a chamar de clichê algo que eu nunca havia visto antes. Alguns elementos da história, o romance dos personagens, os encontros e desencontros, sim. Mas os personagens, definitivamente, não. 

"Quando não acabam com a nossa vida, enfraquecem nossa mente"

SINOPSE: Joana (@vidaspretas) tem uma conta famosinha onde posta artes autorais com frases bacanas sobre vivências de pessoas negras. Davi (@caradaprefeitura), que trabalhava como freela de social media da prefeitura, entrou em contato com @vidaspretas e a contratou para ilustrar uma campanha para o mês da consciência negra. Os dois se aproximaram, trocaram muitas mensagens e acabaram continuando o contato mesmo depois do trabalho acabar. Quando saiu da prefeitura, Davi perguntou se ela queria adicioná-lo na sua conta pessoal, mas Joana gostou da ideia de manter o mistério, e sentiu que podia falar mais abertamente com ele sem saber quem estava do outro lado, por isso, Davi acaba criando uma conta só para falar com ela.

Há seis meses trocando mensagens, nenhum dos dois tomou a iniciativa de dizer quem realmente são na vida offline.

É quando Davi começa como temporário da empresa de marketing em que Joana trabalha e os dois se odeiam logo de cara, sem saber que são a crush virtual um do outro.

Título: Reticências
Autora: Solaine Chioro
Editora: Agência Página 7
Número de páginas: 126
Gênero: Romance
ASIN: B07Q5SFSV9


"Digo o mesmo. Obrigada por ter aparecido do nada na minha vida".

Reticências conta a história de Joana e Davi, dois jovens que conversam há seis meses pela internet, mas ainda não se conhecem pessoalmente e, apesar de saberem tudo um do outro. Tudo estava indo bem no relacionamento virtual dos dois, até que Davi vai trabalhar na agência onde Joana trabalha e, por causa de um mal entendido, eles acabam se odiando logo de cara.

Sim, a história soa como algo que já conhecemos. No entanto, a escrita de Solaine e a maneira como ela aproxima os personagens de nós, faz qualquer pessoa torcer para aquele casal durante o livro inteiro. Fora que, por se tratar de dois protagonistas totalmente fora dos padrões, Reticências soa como o clichê romântico que muitos sonharam em viver e ver nas histórias, mas o domínio de personagens brancos e magros nunca permitiu.



Li o livro em um dia, na verdade, em duas horas seguidas. Não conseguia parar. A história é cativante, fofa e envolvente. Não dá vontade de largar nem por um segundo, como se os personagens fossem sair dali; como se, de alguma forma, eu fosse perder algo se parasse de ler por algum momento. 

Por se tratar de um livro pequeno, Reticências termina rápido, porém, aborda tudo o que se propõe. Além do romance, ele também fala sobre competição no local de trabalho, sonhos, escolhas, racismo e gordofobia. É uma história que mostra que, apesar de tudo, ainda é possível ser feliz e viver um amor super fofo, em um mundo super duro.

Solaine escreve de um jeito simples, respeitando o ritmo e o tom do livro até o final. Geralmente, histórias pequenas pecam nessas áreas. Reticências não. Ele envolve e leva você naquele embalo romântico e divertido em todas as páginas.

O fator ‘representatividade’ aqui é a coluna do livro, sim, mas soa como um brinde especial.  O livro seria cativante se os protagonistas fossem padrão, a escrita da autora continuaria sendo excelente, o ritmo também. Porém, quando você vê que os protagonistas são pessoas tão reais e tão pouco representadas, é impossível não pensar: por que ninguém fez isso antes? Por que é tão complicado assim falar sobre essas pessoas? Por que é tão difícil aceitar que elas também se apaixonam, também sofrem, também sonham?

A representatividade em Reticências é a cereja no bolo que a maioria esmagadora das histórias prefere não colocar.

Aproveita que o livro está de graça no Kindle Unlimited e vem conhecer essa história!

FOTOS: Thaís Herculano




Hoje em dia, se ouve falar bastante de representatividade, mas será que os livros estão mesmo tão diversos assim?

Foi complicado fazer esta lista de livros com protagonistas gordos (que estão no Kindle Unlimited), cujo foco não fosse emagrecimento e que não retratassem a pessoa gorda de forma nociva, estereotipada e preconceituosa. Esta lista, aliás, era para ter 10 livros e não 7, porém, infelizmente, não consegui encontrar mais. Por isso, conto com a ajuda de vocês para descobrir mais livros com representatividade gorda.

Para quem não sabe, o Kindle Unlimited, conhecido como a Netflix dos livros, é uma maneira inovadora, barata e prática de ler. É possível testar por 30 dias e, caso queira continuar, a assinatura custa apenas R$ 19,90 por mês.



1. Reticências (Solaine Chioro)



Um dos livros mais legais que já li, Reticências traz uma história de amor clichê e bem fofa entre um menino negro e gordo e uma menina negra e gorda. É um livro cativante e muito fácil de ler, que me deixou com uma pergunta na cabeça: será que podemos mesmo chamar de clichê o romance entre duas pessoas que nunca são retratadas em lugar nenhum?

SINOPSE: Joana (@vidaspretas) tem uma conta famosinha onde posta artes autorais com frases bacanas sobre vivências de pessoas negras. Davi (@caradaprefeitura), que trabalhava como freela de social media da prefeitura, entrou em contato com @vidaspretas e a contratou para ilustrar uma campanha para o mês da consciência negra. Os dois se aproximaram, trocaram muitas mensagens e acabaram continuando o contato mesmo depois do trabalho acabar. Quando saiu da prefeitura, Davi perguntou se ela queria adicioná-lo na sua conta pessoal, mas Joana gostou da ideia de manter o mistério, e sentiu que podia falar mais abertamente com ele sem saber quem estava do outro lado, por isso, Davi acaba criando uma conta só para falar com ela. 


Há seis meses trocando mensagens, nenhum dos dois tomou a iniciativa de dizer quem realmente são na vida offline.

É quando Davi começa como temporário da empresa de marketing em que Joana trabalha e os dois se odeiam logo de cara, sem saber que são a crush virtual um do outro.

2. Amizades, cacatuas e outras coisas fora de controle (Mareska Cruz)



Protagonizado por duas amigas, sendo uma delas gorda, Amizades, cacatuas e outras coisas fora de controle é um livro divertido, bem humorado, mas que aborda assuntos importantes, como ansiedade, depressão, gordofobia e racismo. Se quiser saber mais sobre, tem resenha aqui no Astronauta.

SINOPSE: Antônia e Helena só queriam calma e tranquilidade durante as férias. Mas era claro que não seria fácil assim. Um trabalho de literatura de última hora definitivamente não fazia parte dos planos de ninguém, ainda mais sendo em dupla! E o pior: teriam que fazer juntas. Logo elas, ex melhores amigas de infância que não se falavam há meses. No meio de muita confusão e mágoas, as duas garotas terão que se autodescobrir em uma jornada complicada, com amigos levemente intrometidos, uma vidente mal-educada e a razão do fim da amizade, que pode ou não ter origem em seus próprios problemas e traumas. Isso, é claro, se conseguirem primeiro sobreviver àquela maldita cacatua.


3. Eleanor & Park (Rainbow Rowell)


Sem dúvida alguma, um dos meus livros preferidos, Eleanor & Park é um romance doce e, ao mesmo tempo, triste, que vai nos mostrar a visão que Eleanor tem do próprio corpo e bullying que a menina sofre por ser gorda e “estranha”. Já conferiu a resenha que fiz aqui para o Astronauta?

SINOPSE: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e "grande" (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família.


Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.


Agora vamos para a lista de livros que ainda não li, mas que devo ler muito em breve:


4. Singular (Thati Machado)



A autora já é conhecida por trazer representatividade, dos mais variados jeitos, para seus livros, com foco na diversidade LGBTQIA+ e também no protagonismo gordo. Thati tem um livro protagonizado por uma menina gorda, o Poder Extra G, mas ele não está no Kindle Unlimited. Então, vamos de Singular, cujo foco é a transexualidade, porém, nós temos um grande destaque para a Rafa, uma menina gorda.

SINOPSE: Noah sempre quis ser um garoto. Exatamente desse jeito. Com ponto final depois do substantivo masculino. Bom, ao menos era assim que as outras pessoas viam a situação. Para Noah, ele era um garoto. Novamente: ponto final. Durante toda uma vida Noah se sentiu deslocado, diferente, estranho. Era como se ele fosse um pacote que precisava vir acompanhado de cuidados e explicações. O que ele não sabia − mas estava prestes a descobrir − é que era único. Era singular.


Como muitos garotos − com ponto final − Noah também esperava encontrar alguém com quem dividir absolutamente tudo. E enquanto isso não acontecia, ele achou que seria uma excelente ideia curtir o carnaval na cidade maravilhosa. Ele só não esperava que a terra de clima quente e pessoas calorosas pudesse lhe oferecer muito mais.


5. Amor Plus Size (Larissa Siriani)


Vou confessar que é um pecado eu ainda não ter lido Amor Plus Size. Mas resolverei essa questão em breve. Enfim, vou soltar aqui a sinopse e peço para que vocês não cometam o mesmo erro que eu E LEIAM O LIVRO #pas


SINOPSE: Uma jovem construindo uma jornada incrível de autoconhecimento, aceitação e empoderamento, enquanto descobre seu lugar no mundo. Maitê Passos é uma garota linda de 17 anos e mais de cem quilos. Ela passou a infância e a adolescência sendo rotulada pelo peso. Mas e quando é justamente esse o fator que pode mudar completamente a sua vida? Em meio ao turbilhão do ensino médio, com uma mãe obcecada por dietas, um crush antigo por Alexandre, o cara mais gato da escola, e uma amizade deliciosa com Isaac, fotógrafo amador, Maitê vai descobrir que não precisa ser igual a todas as outras meninas para ser feliz.



5. Dumplin' (Julie Murphy)


Muito provavelmente por conta do filme lançado pela Netflix, Dumplin' foi o livro que mais me indicaram. Confesso não saber NADA sobre ele, mas deixo aqui a sinopse:


SINOPSE: Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e "estou acima do peso e ninguém tem nada com isso" fazem de Dumplin' um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre.

Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin' pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca.

Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.

7. As razões de Cris (Maria Freitas)



E, obviamente, eu não poderia deixar de fazer uma autopromoção, não é mesmo? Meu livro, As razões de Cris, tem uma protagonista negra e gorda, e fala sobre bullying, amizade, vingança, roubo de músicas e bicicletas rosas.


SINOPSE: Ainda na infância, Cris construiu um castelo para proteger seu coração. Quando estava na terceira série, conheceu Pedro, um garotinho gordo, assim como ela. Juntos, os dois descobriram os encantos de uma infância no interior e sonharam em conquistar o mundo. 

Cris só não contava que seu castelo começaria a ruir por dentro, justamente pelas mãos de quem ela permitiu que entrasse. A mulher que conta essa história já não é mais a mesma garotinha destemida de antes. Uma amizade, uma bicicleta rosa e uma música roubada mudaram tudo. 20 anos se passaram e Cris deseja se vingar. Mas de quem e por quê?


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FOTO: Thaís Herculano
Ligue uma música, acomode-se em seu lugar no ônibus, pegue seu gibi e se permita apaixonar!

Eu me apaixonei, nem me importo em negar. Enquanto ouvia o audiolivro, era difícil controlar a tempestade de sentimentos que ele foi me causando a cada linha. Eleanor & Park é isso: um livro apaixonante, que consegue ir muito além dos romances adolescentes comuns, ele alcança um nível de complexidade que eu nunca havia visto antes no gênero.

A descoberta do amor é um respiro no meio da narrativa pesada e angustiante da vida de Eleanor, que fez com que os conflitos adolescentes de Park parecessem bobagem. Por mais que Park seja um fofo, ele não passa de um jovem que nunca perdeu nada de verdade. É só um menino, com conflitos de menino, amando como um menino. Eleanor não. Eleanor precisa crescer cedo demais, precisa, à sua maneira, cuidar da mãe e dos irmãos mais novos, precisa cuidar de si.

O que mais me impressiona o tempo inteiro em Eleanor & Park é o fato de que Park acha Eleanor excêntrica, com suas roupas feias, velhas e remendadas, com seu cabelo mal cuidado, com seu jeito calado. Mas Eleanor não é excêntrica, é pobre. Ela tenta o melhor que consegue se virar com o que tem. E, durante todo o livro, saber disso é um soco no estômago.

“E se Park percebesse que todas as coisas que ele achava tão misteriosas e intrigantes nela fossem apenas… tristes?”



SINOPSE: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e "grande" (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família.

Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Título: Eleanor & Park
Autora: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 378
Gênero: Young Adult | Ficção para adolescentes
ISBN: 9788542801255


“Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo”.

Eleanor & Park começa com a chegada de um nova aluna ao ônibus escolar. A menina gorda, ruiva, de cabelos cheios e cacheados é vítima de bullying antes mesmo de encontrar um lugar para se sentar no transporte. É quando o rapaz de descendência coreana a convida, meio rudemente, a se sentar ao lado dele. Quem diria que nasceria um amor tão fofo entre dois jovens tão diferentes? Eleanor e suas roupas excêntricas, Park e suas revistas de super-heróis e fones de ouvido sempre tocando algum indie rock. E quem diria que a história por trás dos dois, principalmente Eleanor, seria tão forte? 



“Ele sabe que vou gostar de uma canção antes mesmo de eu tê-la ouvido. Ele ri das minhas piadas antes mesmo que eu chegue ao final. Tem um lugar no peito dele, logo abaixo da garganta, que me faz querer deixá-lo abrir portas para mim. Existe apenas um dele”

É claro que o livro tem seus problemas: o final corrido pode ter decepcionado alguns leitores que vinham envolvidos com a narrativa. Confesso que esperava por mais, no entanto, agradeço à autora por ter escolhido um fim coerente com a construção psicológica dos personagens, apesar de eu ter esperado por mais sentimento. Na verdade, os primeiros 50% do livro são muito melhores que os últimos. Se Rainbow tivesse conseguido balancear a história, tenho certeza que seria um dos melhores livros que já li (no caso, ouvi) na vida.

Mesmo assim, Eleanor & Park é, com certeza, um livro que eu nunca vou esquecer. Vale muito a pena conhecer o universo criado por Rowell, numa escrita emocionante e encantadora, parecida com um abraço quentinho quando o mundo inteiro parece estar desmoronando a nossa volta.

Leiam. Tem no Kindle Unlimited.
Ou ouçam, através do Ubook, inclusive as narrações são maravilhosas.

Agora uma pausa para apreciar esta ilustração maravilhosa:




FOTO: Thaís Herculano
ILUSTRAÇÕES: Créditos nas imagens




''O ÓDIO NOS FAZ MAIS FORTES.''

Surpreendente é a palavra que define essa obra, um mergulho no melhor que a literatura pode oferecer, recheada de mistérios e aventura com uma boa dose de romance. É preciso embarcar nessa viagem repleta de desafios, descobertas e paixão para compreender o sentimento final que esse livro deixa em nossas almas. 


''Naquele momento, finalmente percebi o poder que a guerra tinha de congelar o coração e a alma das pessoas mais bondosas.''

Kyara Morrigan é uma personagem forte, todo o seu desenvolvimento é muito bem construído pela autora. E o universo criado arranca suspiros durante toda a leitura. 




SINOPSE: Kyara Morrigan nasceu em Ardhem, uma aldeia de guerreiros pertencente ao grande reino de Weston. Vivendo em segredo entre os humanos, ela é filha de uma improvável relação de amor entre um elfo e uma humana, espécies que alimentam o ódio entre si. Os líderes da aldeia são os únicos que sabem a verdade a seu respeito. Escrava, solitária, odiada na sua aldeia e sem poder recorrer aos elfos, Kyara teme o dia em que a sua vida não será poupada ao ter o seu segredo revelado, tamanho o ódio dos humanos pela espécie do seu pai. Como os Deuses às vezes parecem brincar com os fios do destino, no seu décimo oitavo aniversário, Kyara começa a ser tomada por novas sensações, pensamentos e uma estranha força que parece estar aprisionada dentro de si. Com a chegada de um estranho, uma nova oportunidade de vida lhe é oferecida. Contudo, para poder desfrutá-la, Kyara terá de atravessar o território das sereias, hostis a todos que navegam pelas suas águas, e conhecer terras e espécies diferentes. Esperança para uns, ameaça para outros, Kyara precisará fazer uma escolha que mudará para sempre o curso da sua vida e da de vários inocentes à sua volta.

Título: Kyara Morrigan e a guerra de Shadowfalls
Autora: Juliana Cherni
Editora: Skull
Número de páginas: 344
Gênero: Fantasia 
ISBN: 9788592485818


O livro apresenta uma guerra épica envolvendo armas e magias em um universo paralelo, onde os sentimentos mais humanos habitam as diferentes espécies. Uma trama recheada de amor, ódio, intrigas, mentiras e muitas reviravoltas, que mostra a incrível e surpreendente transição de uma simples escrava assustada para uma guerreira destemida.

Ao olhar essa capa pela primeira vez já fiquei encantado. E ao terminar a leitura e perceber que a capa é um complemento para tudo que está dentro do livro é simplesmente maravilhoso. Esses pequenos detalhes fazem muita diferença na hora de pensar em comprar outros livros da mesma autora, o cuidado que ela tem com a sua obra desde as palavras até o acabamento gráfico. 

A história começa na aldeia de Ardhem e conta a história de uma sociedade explorada, tudo é narrado pela perspectiva de Kyara, uma jovem que precisa se esconder de tudo e todos, por conta de seus ancestrais. Vivemos na pele da personagem e sofremos todas as suas dores. A fome, o frio, o preconceito, o descaso. Devido a escrita espetacular de Juliana, sentimos tudo que a personagem sente na mesma intensidade. 


''Brenda era fria, como a maioria dos cidadãos de Ardhem, porém tenho certeza de que, se ela fosse escrava e vivesse o que eu vivo no dia a dia, também apreciaria um pouco de compaixão.''


Os pontos são muito bem articulados e enquanto a primeira parte do livro foca em desenvolver os personagens, a segunda parte foca na ação, na guerra em si. E falando em guerra, podemos perceber no livro duas guerras, a de Shadowfalls, que dá nome ao livro e a guerra que acontece dentro de Kyara quando ela precisa tomar uma decisão muito importante, independente do lado que ela escolha, pessoas amadas morrerão. 


''Quais desses rostos iriam desaparecer para sempre?''

Em muitos momentos é possível que você pense que já conhece a história e que sabe exatamente qual o próximo passo da protagonista, mas Cherni quebra toda essa expectativa, misturando os vários lados de cada história de vida dos personagens. Aqui não temos apenas a visão do mocinho, ou dos vilões, temos a visão do todo, uma tarefa extremamente complicada em livros de fantasia narrados em primeira pessoa. Quando achamos que já conhecemos o cenário, ele muda. Quando achamos que já conhecemos as personagens, elas mudam também. Quando achamos que já conhecemos o vilão, adivinhem? 

''O ódio e a ganância despertam o seu lado mais sombrio, que lhe fortalece. Isso que lhe é escasso, em mim, tem de sobra!''


Juliana Guimarães Cherni nasceu no ano de 1978 no Rio de Janeiro, onde foi criada. Desde pequena dividia seu tempo livre entre jogos de vídeo games, criando personagens infantis e escrevendo minicontos de terror, romances e fantasias. Sonhava em ser desenhista e roteirista de estórias em quadrinhos, mas o traço no papel perdeu espaço para a escrita. Formou-se em Desenho Industrial e Teatro, trabalhou com roteiros e na área de circuito cultural. Apesar de gostar do que fazia, ela sempre sentiu que faltava algo. Designer, nerd, gamer, fã de monstros e criaturas mitológicas, a escrita que sempre esteve presente em pequenos contos se transformou em sua primeira obra. Casou-se em 2010 e hoje é mãe de um menino e de um gato vira-lata. Ela e sua família residem em Florianópolis, Santa Catarina e pensam em adotar um cachorro no futuro. 

Recomendo esse livro para todos os leitores, é uma joia preciosa da literatura nacional. A continuação já foi confirmada pela autora, então corra para ler o primeiro livro antes que o segundo chegue. 









Nem só de clássicos vive a literatura nacional! Para comemorar o Dia da Literatura Brasileira, separamos uma lista com cinco autores que você precisa conhecer!

Cláudia Lemes

Foto: Divulgação

Você sabe que um livro é bom quando o finaliza já pensando em procurar por todos os outros livros daquele autor. É o que acontece com as obras escritas por Cláudia Lemes: você termina um livro procurando pelo próximo. 

Mesmo tendo alguns de seus livros publicados por editoras, foi na publicação independente que Cláudia encontrou o seu caminho. Ela coleciona uma sequência de projetos de financiamento coletivo bem sucedidos, com um trabalho árduo e bem feito. Não exagero em dizer que é uma das mais importantes e inspiradoras autoras nacionais contemporâneas.

Veja a resenha de Eu vejo Kate aqui e de Inferno no Ártico aqui.


Laís Lacet

Foto: Reprodução/Facebook

Laís começou sua carreira escrevendo no Nyah!Fanfiction, mas foi com sua primeira obra publicada, A Guardiã, livro 1 de As Relíquias de Aether, que a autora começou a ser conhecida no mercado independente. A obra foi publicada, depois republicada e hoje está esgotada, podendo ser encontrada apenas em versão digital.

Atualmente, a autora já publicou seu segundo livro, Da tua Rosa (que também já está esgotado), de forma física e também na Amazon, e está escrevendo a sequência de As Relíquias de Aether.



Marco Barbieri e Will Nascimento

Foto: Reprodução/Instagram

Dois em um. Marco e Will são autores vindos das plataformas de publicação digital, assim como Laís. O livro de maior sucesso da dupla no Wattpad é a distopia Autômato (que o Alan já resenhou aqui para o Astronauta), uma obra excelente, em especial para quem curte histórias como a trilogia Jogos Vorazes e  o jogo The Sims. 

Autômato é o primeiro livro da saga Projeto Colmeia e foi publicado também em versão física, além de estar disponível na Amazon. Já o segundo livro, Mártir, pode ser lido através do Wattpad. 


Mareska Cruz

Foto: Reprodução/Instagram


Eu já disse que livro bom é aquele que abre as portas para o universo escrito pelo autor. O grande ponto aqui é que Mareska Cruz só tem um livro publicado: a novela Amizades, Cacatuas e outras coisas fora de controle. E, mesmo se tratando de um livro de menos de 150 páginas, é possível ver todo o talento e magnetismo que a autora tem. Escreva mais, Mareska, nunca te pedi nada.



Maria Eduarda Duarte

Foto: Reprodução/Facebook

Dizem que, no universo literário, talento não põe mesa, e talvez estejam certos. Mas quando se conhece escritores como Maria Eduarda Duarte é difícil concordar com essa máxima. 

Madu, para os íntimos, publicou seu primeiro livro, Apenas viva sem mim, quando tinha 17 anos. Mas foi com Não me TOC, obra publicada inicialmente pelo Wattpad, que Maria Eduarda mostrou a que veio. Mesmo se tratando de uma história sem edição e trabalhos de texto, Não me TOC é um dos melhores, mais complexos e bem escritos livros que já li.

Confira aqui.


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